Perguntas frequentes sobre a Lei da Balança, por Rubem de Mello

Cumprir e fazer cumprir a lei da balança é um desafio para todos. O objetivo dessa página, sob responsabilidade do Eng.º Rubem Penteado de Mello, é contribuir com informação e conhecimento que possam resultar em menos transtornos aos operadores de transporte e mais segurança nas nossas rodovias.

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Porque acertar no Peso Bruto (PBT) é fácil. É só fazer: Carga = PBT – Tara.

Mas acertar no peso dos eixos ou no “entre-eixo” dependerá do posicionamento da carga sobre a carroceria. E aí é bem mais complicado.

Porque é no trator que aparecerem “pesos extras” como: tanque suplementar, caronas na cabine, etc.

Mas principalmente porque, embora a tolerância seja a mesma para todos os eixos (10% - novo valor da Resolução 526), no trator temos “menos quilos” para errar.

Explico: - Já corrigindo os valores para as novas Regras da Resolução CONTRAN 526/15

Nos 3 eixos da carreta, 10% significam que até um erro de 2.550 quilos passa sem multa (10% de 25.500 kg)

Mas no eixo dianteiro do trator, por exemplo, 10% significam apenas 600 quilos (10% de 6.000 kg). Se errar em um pouco mais de 600 kg já vai levar multa nesse eixo.

Carretas com 3 eixos juntos e longas (+ de 14 metros), acopladas em cavalo 4x2, provocam normalmente excesso no trator porque a suspensão da carreta está “traseira” demais, para atender ao balanço máximo de 3,5 metros (Resolução 210). Com isso, joga mais carga do que deveria no cavalo.

Obs.: conjunto com cavalo 6x2 e conjuntos com carreta Wanderléia não tem esse problema, mesmo com carretas longas.

Permitem engatar, mas não distribuem a carga para os 2 tipos. Ou seja: se foi fabricada para cavalo 6x2 só distribui o peso correto para 6x2 e vice-versa.

Para servir para qualquer cavalo, os eixos da carreta precisariam ser “deslizantes”: ou seja – deslizar para trás no cavalo 6x2 e deslizar para frente para o 4x2 (no Brasil não temos carretas assim).

Trocar o pino de posição não resolve a distribuição de peso.

Isso é mito antigo. Da época das estradas de terra: mais carga na tração, menor chance de atolar. Mas hoje, carregando lotação máxima, se deixar a carga dianteira vai dar excesso na tração do cavalo.

Para a grande maioria das carretas é simples: está no centro geométrico da carreta. Por exemplo: se a carreta tem 12 metros, está nos 6 metros. A carga deve ficar equilibrada em relação a esse ponto

Também é mito. Não existe na Portaria 63/09 do Denatran previsão para caminhão trucado (6x2 ou 6x4) com PBT de 24 tons. O máximo legal é 23 tons (6 + 17).

Porque esse é o “PBT técnico” e não o Legal (alguns caminhões eram registrados com o valor técnico). O PBT legal máximo para esse caminhão de 3 eixos é: 23 tons.

Só passa com PBT de 29 tons (12 + 17). Está nessa mesma Portaria 63 do Denatran.

Sim. Pode ser multado pelo peso registrado na Nota Fiscal e nesse caso em qualquer local. Ou seja: se estiver transportando mais carga do que previsto no registro: plaqueta ou pintura, vai ser multado. E cuidado: nesse caso não tem tolerância.

Por exemplo: se estiver na carreta: Lotação = 25.000 kg, e estiver levando 25.100 kg na Nota, vai ser multado em 100 kg de Excesso no PBT (nesse caso não tem multa no “entre-eixo” porque está fora da balança e não há meio de conferir).

1. Meu caminhão foi multado no “entre-eixo” por 50 quilos apenas? Não é muito pouco para aplicar a multa?

- Você foi multado em 50 quilos do que excedeu a tolerância. O seu erro foi muito maior que 50 quilos. Por exemplo: se a sua multa foi na tração do cavalo 4x2:

Peso máximo: 10.000 kg

Peso com tolerância para multa: 10.750 kg (ou seja: com 7,5%)

Se você foi multado em 50 quilos, esse eixo passou na balança com 10.800 kg. Ou seja: você errou em 800 kg, mas só foi aplicado multa sobre 50 kg (aquilo que ultrapassou o valor com a tolerância).

Balança estática (balanção) não serve para pesar eixo a eixo porque acumula muito erro. A menos que faça uma adequação ou instale um dispositivo para pesar eixo a eixo. Se você é embarcador, sugiro começar a planejar a instalação de uma balança dinâmica por eixo na sua empresa. Afinal, se você é “embarcador único” a multa será sua responsabilidade (e se você tem muitas Notificações, prepare-se para uma possível visita do Ministério Público).

Não vai resolver. Se no cavalo um eixo está com peso acima do permitido e outro muito abaixo, o problema é na posição da 5ª-roda. Nada que você faça na carreta transfere carga de um eixo do cavalo para outro.

Sugiro que passe na concessionária da marca e peça para verificar se a 5ª-roda está na posição original.

Não serve para defesa porque a medição na via é efetuada na presença de um Agente Público (Resolução 258) e na sua empresa não. Ou seja: não há como garantir que a medição na sua empresa foi feita exatamente na mesma condição daquela registrada na rodovia

Não pode e não deve. Quanto mais você “avançar” na tolerância no carregamento na sua empresa, maior a chance de ser multado na balança da rodovia. E registrar o excesso na Nota é pior ainda: se for fiscalizado, vai levar multa (na Nota Fiscal a tolerância é zero).

Além da diferença no peso do diesel nos tanques do caminhão entre as pesagens, as balanças, como todo instrumento de medição, tem uma faixa de erro, considerada como normal. Assim, pequenas diferenças são absolutamente normais.

Diferença muito grande pode indicar problema na balança ou “mau uso” de quem está medindo. Nesses casos: você deve reclamar ao Órgão responsável (diretamente ou através do seu Sindicato).

Confira aqui, exemplo prático de como se calcula a multa por excesso de peso e também por excesso da CMT, conforme as novas regras

Além da diferença no peso do diesel nos tanques do caminhão entre as pesagens, as balanças, como todo instrumento de medição, tem uma faixa de erro, considerada como normal. Assim, pequenas diferenças são absolutamente normais.

Diferença muito grande pode indicar problema na balança ou “mau uso” de quem está medindo. Nesses casos: você deve reclamar ao Órgão responsável (diretamente ou através do seu Sindicato).

Confira aqui, exemplo prático de como se calcula a multa por excesso de peso e também por excesso da CMT, conforme as novas regras

- Jamanta: nome antigo (bem antigo!!) de semirreboques normalmente de 2 eixos.

- Cegonheira: semirreboque do tipo Carroceria Aberta para Transporte de Veículos.

- Carrega-tudo: semirreboque do tipo “Prancha”, destinado ao transporte de máquinas e equipamentos (e sem grades ou “guardas” laterais)

- Carreta: veículo rebocado do tipo semirreboque (ou seja: que apoia e transfere peso ao trator)

- Julieta: veículo rebocado que é apenas tracionado pelo veículo trator (normalmente um caminhão com carroceria) e não transfere peso para ele.

- Carreta “Wanderleia”: semirreboque cuja suspensão é dotada de 3 eixos distanciados.

- Carreta “Canguru”: uma variação da Wanderleia, sendo também 3 eixos, mas 2 juntos e 1 afastado (o 1º eixo apenas é distanciado)

- Bitrem: conjunto de veículos de carga – CVC, com 7 eixos no total (PBTC de 57 tons), formado por caminhão-trator e 2 semirreboques de 2 eixos cada (com 2 acoplamentos e ambos do tipo 5ª-roda+pino-rei)

- Bitrenzão: conjunto de veículos de carga – CVC, com 9 eixos no total (PBTC de 74 tons), formado por caminhão-trator e 2 semirreboques de 3 eixos cada (com 2 acoplamentos e ambos do tipo 5ª-roda+pino-rei).

- Rodotrem: conjunto de veículos de carga – CVC, com 9 eixos no total (PBTC de 74 tons), formado por caminhão-trator e 2 semirreboques de 2 eixos cada + dolly intermediário de 2 eixos (com 3 acoplamentos sendo dois do tipo 5ª-roda+pino-rei e um engate automático conhecido como boca de lobo ou boca de bagre)

- Tritrem: conjunto de veículos de carga – CVC, com 9 eixos no total (PBTC de 74 tons), formado por caminhão-trator e 3 semirreboques de 2 eixos cada (com 3 acoplamentos e todos do tipo 5ª-roda+pino-rei)

- Treminhão: - conjunto de veículos de carga – CVC, com 7 eixos no total – normalmente Canavieiro, (PBTC de 63 tons), formado por caminhão com carroceria e 2 reboques de 2 eixos cada (com 2 acoplamentos todos do tipo engate automático conhecido como boca de lobo ou boca de bagre)

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17. Quem garante que a balança da rodovia está correta?

18. Por que meu caminhão trucado não passa com 23 toneladas?

19. Tenho visto carreta graneleira com 4 eixos (3 juntos e 1 afastado). Pode isso?

20. E bitrem com carreta Wanderléia (eixos distanciados)? Posso fazer?

21. O meu motorista falou que consegue passar com uns 1000 kg a mais na balança. É verdade?

22. Por que não posso fazer uma carreta com 22 metros de comprimento como a cegonheira e carrega-tudo?

23. Posso comprar um caminhão-trator 6x2 novo para tracionar bitrem de 57 ton. (7 eixos)?

25. E a polêmica dos caminhões com traseira levantada? Podem circular? Interfere no peso dos eixos?

26. Perdi a Plaqueta de Dados Técnicos da minha carreta e a fábrica não existe mais. O que eu faço?

27. Tenho uma carreta Wanderléia que sempre dá excesso no 1º eixo direcional. O que pode ser?

28. A carga a granel se movimenta o tempo todo durante a viagem. Como vamos garantir o peso entre os eixos?

29. Fui multado, mas fiquei retido e tive que passar parte da carga para outro caminhão. Quando isso acontece?

30. Sou embarcador: Qual a solução definitiva para eliminar as multas por excesso de peso que estamos recebendo?

32. Qual a diferença entre caminhão trucado e caminhão traçado?

Rubem Penteado de Melo é Engenheiro Mecânico com pós-graduação em engenharia de produção e mestrado em engenharia mecânica. Foi engenheiro projetista da Bernard Krone do Brasil (fabricante de semi-reboques e da Ford New Holland (fabricante de máquinas agrícolas). Atuou ainda como engenheiro industrial, gerente de produto e atualmente é diretor, responsável pela área da qualidade nos serviços de inspeção de segurança de veículos sinistrados e alterados e inspeção de veículos que transportam produtos perigosos na Transtech Ivesur Brasil Ltda. Foi vencedor do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito de 1996.

O eng.º Rubem Mello é autor do livro Amarração de Cargas


contato: rubem@transtech.com.br

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